Por Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária
Em 2025, a pecuária brasileira surpreendeu mais uma vez, superando o recorde do ano anterior.
Ao analisar o desempenho do ano em comparação com o início da década de 1990, a produtividade na pecuária de corte foi 268% maior. Saiu de 21 kg de carcaça (1,4 arroba) por hectare, em 1991, para os atuais 77,3 kg de carcaça (5,15 arrobas) por hectare, registrados em 2025.
Desde 2024, a Athenagro passou a comparar ambos os períodos a partir da média dos últimos 4 anos, estratégia que ajuda a diluir distorções pontuais de produtividade observadas em anos específicos.
Entre 2023 e 2024, a produtividade aumentou 10,5%, o que gerou dúvidas quanto aos fatores que explicariam esse crescimento. Muito se falou em liquidação do rebanho, tese que foi descartada quando, em setembro de 2025, o IBGE confirmou que o rebanho se manteve estável entre 2023 e 2024. A explicação era o aumento produtividade, realidade que tem sido subestimada por influência de diversos estudos conduzidos a partir de dados errados em relação à área de pastagens, principalmente.
A comparação entre as médias anuais de 1991 a 1994 com as médias de 2022 a 2025 confirma o desempenho da pecuária: no período, a produtividade aumentou 214%, combinando um acréscimo de 166% na produção com a queda de 15,2% na área de pastagem.

O rebanho cresceu 32,7% no período, mas o peso médio por animal recuou 18,3%, embora o peso de carcaça dos animais abatidos tenha aumentado 21,6%.
Pode parecer contraditório, mas não é.
O peso médio do rebanho vem diminuindo devido à redução gradual da participação de animais mais velhos.
A pecuária brasileira está produzindo mais e mais rápido, emitindo menos por animal (mais leve, em média) e ocupando área cada vez menor.
Esse sucesso vem sendo arquitetado há mais de 50 anos com execução mais acelerada há, pelo menos, 35 anos.
O mérito é da ciência especializada e do empreendedorismo da cadeia produtiva.
