Por Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária
Por que não seria ético comer carne?
No início de 2012, o New York Times lançou um desafio aos leitores: defender a ética no consumo de carne.
Naquele momento, a campanha contrária ao consumo de carne ganhava força — sempre sustentada por argumentos alarmistas e por uma onda de desinformação que distorcia, e ainda distorce, o debate.
Eu participei e enviei um texto, cujo conteúdo é condizente com o momento atual.
Em uma das passagens, escrevi: “Na democracia, é fundamental lembrar que a vontade das minorias deve ser respeitada, e não prevalecida. Quando os valores e a vontade de uma minoria prevalecem, a liberdade já deixou de existir.” Portanto, não é mais uma democracia.
E foi assim que defendi meu ponto de vista com base em valores que continuo conservando: as liberdades de livre escolha.
Pelo meu ponto de vista, na ocasião, era um absurdo justificar as preferências da maioria diante de dogmas impostos por uma minoria barulhenta. Terminei o artigo com o seguinte raciocínio:
“Aqueles que questionam a ética no consumo de carne baseiam-se, eles próprios, em padrões antiéticos de comportamento: mentira, intimidação, desinformação, deturpação de dados, falsos testemunhos, desmoralização etc… Podemos afirmar que consumir carne é ético!!! Desmoralizar quem consome é antiético.”
É curioso que, ainda hoje, as agendas e vontades de uma minoria parecem prevalecer, sempre apoiadas em muito barulho.
Infelizmente essa mentalidade está parada no tempo, embora tenha evoluído na criatividade ao defender suas meias verdades. Chega até a deturpar e/ou omitir dados históricos para justificar suas retóricas infundadas.
Ficou mais sofisticada, tanto na política como em temas relacionados à uma suposta contradição entre produção agropecuária e proteção ambiental.
Apesar do aparente equilíbrio e sobriedade, quando acuada sempre apela para o autoritarismo e intimidação. Não aceita questionamentos e nem debates, apenas validação.
A seguir, na integra, o artigo original escrito em 2012 e publicado no antigo site da Bigma Consultoria.
É ético comer carne!!
Comer carne é ético pela própria definição de ética.
Ética é um conjunto de valores morais e princípios que norteiam a conduta humana. Trata-se da busca de um equilíbrio para que um grupo, organização ou sociedade se mantenha funcionando, sem que haja prejuízo de alguns.
Embora este conjunto de valores possa ser formalizado e, em alguns casos, até transformados em códigos de conduta ou leis, normalmente a ética é intrínseca. São valores arraigados, construídos a partir da trajetória histórica e cultural. Cada sociedade e cada grupo possuem seus próprios valores éticos.
Para os hindus, por exemplo, comer carne bovina é antiético. Para os muçulmanos é o consumo de carne suína que é antiético, e por aí vai. Chega-se ao extremo de minorias raríssimas não aceitarem consumir nada que esteja vivo. Para eles, é antiético comer frutas, legumes e verduras.
Pois bem, quanto maior é a liberdade desfrutada por uma sociedade, maior será a importância da ética, como meio de nortear os valores comuns. Por isso o conceito só é discutido onde a liberdade floresce. É essencial em sociedades democráticas, livres.
E na democracia é o conjunto de valores intrínsecos da maioria que define a ética comum. E mesmo assim, nessas sociedades, respeitar e defender os direitos das minorias faz parte do código de ética.
No entanto é fundamental lembrar que a vontade das minorias deve ser respeitada; e não prevalecida.
Quando os valores e a vontade de uma minoria prevalecem, a liberdade já deixou de existir.
Nesse caso a ética perde a importância, pois os códigos de conduta são ditados e, geralmente, transformados em leis. Precisa virar lei, pois a maioria não concorda.
Portanto, usar a bandeira da ética como clava de intimidação para que os valores de uma minoria prevaleçam é, em si, um comportamento antiético. Vai contra os princípios libertários, há muito almejados pela sociedade ocidental, descendente da cultura greco-romana.
Por outro lado, os valores morais de uma sociedade não são imutáveis.
Conceitos como o próprio julgamento entre o bem e o mal fazem parte do processo de evolução. Com isso, o conjunto de valores vai mudando à medida que a sociedade evolui e novos conhecimentos vão sendo incorporados.
Essa particularidade dá legitimidade para que alguns grupos, visionários, iniciem um processo de mudança nos códigos de ética das sociedades livres.
Por constatação, e pela ciência, valores equivocados vão sendo substituídos por valores novos, num processo desconfortável de quebra de paradigmas da maioria. Exemplo disso? Católicos fervorosos passaram a aceitar que a Terra é redonda e gira em torno do Sol.
Por isso que os veganos e vegetarianos, catequizadores, defendem a legitimidade de dizer que aqueles que consomem carne são antiéticos.
No entanto, a argumentação destes grupos é baseada em mentiras e meias verdades, principalmente as associadas a conceitos de sustentabilidade. A ciência prova que a criação de animais para o consumo humano é sustentável.
Deste modo, aqueles que questionam a ética no consumo de carne baseiam-se, eles próprios, em padrões antiéticos de comportamento: mentira, intimidação, desinformação, deturpação de dados, falsos testemunhos, desmoralização, etc.
Neste formato, a discussão não se insere no legítimo processo de evolução da ética humana. É a simples vontade de uma minoria buscando prevalecer sobre a maioria. É um atentado à liberdade.
E pior, usam a base libertária e tolerante da nossa ética para atacá-la de forma vil e covarde.
Sendo assim podemos afirmar que consumir carne é ético!!! Desmoralizar quem consome é antiético.
