Em entrevista ao Canal do Boi, no dia 2 de setembro, Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro, avaliou que a manutenção do embargo europeu terá impacto relevante sobre as exportações brasileiras de proteínas animais. Segundo ele, o mercado europeu representa aproximadamente 5% do faturamento das exportações de carne bovina e 10,5% das vendas externas de carne de frango, além de oferecer maior valor agregado aos produtos brasileiros.
Para a carne bovina, a retomada dos embarques pode ser mais complexa devido às exigências europeias de rastreabilidade desde o nascimento dos animais. Nogueira defende que o controle concentrado nas etapas finais de recria e engorda seria suficiente para comprovar o uso de antimicrobianos e atender às demandas do mercado.
Aos Estados Unidos, o Brasil teria capacidade para fornecer entre 150 mil e 200 mil toneladas das 300 mil toneladas previstas para importação em 90 dias. Apesar de positiva para frigoríficos e produtores, essa oportunidade não substituiria integralmente as vendas perdidas para a China, pois a demanda norte-americana está concentrada em carne magra e cortes menos nobres utilizados na produção de hambúrgueres.
Sobre a China, Nogueira acredita que a retomada das compras deve fortalecer os preços do boi gordo. O mercado futuro já estaria antecipando esse movimento, com recordes nominais nos contratos da virada do ano. Embora a recuperação possa começar em setembro, sua principal aposta é que os efeitos mais claros apareçam em outubro, com intensidade condicionada à oferta de animais para abate.
