Por Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária
Compilando todos os dados disponíveis, a conclusão é incontestável: o sucesso e o crescimento da pecuária brasileira estão alicerçados no aumento da produtividade.
A ocupação em animais por hectare aumentou de 0,7 para 1,2 cabeça entre 1990 e 2024, na média do país. Ainda é pouco diante do potencial, mas os avanços são consistentes e ininterruptos.
O aumento ocorre até mesmo no bioma Amazônia, que é sempre apontado como ameaçado pelo avanço da pecuária. Em 1990, cada hectare de pastagens na região suportava 0,5 cabeça. Hoje suporta 1,4 bovino, em média.

Duas considerações precisam ser feitas.
– É fato que pastagens ocupam a maior parte das áreas desmatadas. Mas isso ocorre em consequência do desmatamento e não o contrário.
Enquanto o ambientalismo não se dedicar sobre os diagnósticos corretos, todo o esforço resultará apenas em retórica e holofotes e não em resultados.
– A análise da pecuária precisa ser feita a partir de dados consolidados de toda a base estatística disponível. Há estudos, amplamente divulgados, cujas metodologias ainda não foram capazes de identificar toda a área que era utilizada nos anos 1980 e 1990.
Ainda que sejam estudos bem conduzidos, não é a realidade que precisará se adaptar a eles. É a metodologia que precisará se adaptar ou, ao menos, explicar porque todas as outras bases de dados estão erradas.
Do ponto de vista científico, não se pode ignorar a existência prévia de dados estatísticos que confrontam as conclusões que estão sendo apresentadas.
Mesmo com o desmatamento entrando na “conta” das pastagens, a área de pasto no Brasil aumentou até o início dos anos 1990 e vem recuando desde então. Há diversas razões que explicam o contexto.

Considerando a média entre os anos de 1991 e 1994 e a média entre os anos de 2021 e 2024, conclui-se que a área de pastagens recuou 14,8%, enquanto a produção de carne avançou 153%.
No período comparado, a produtividade aumentou 197,3% até atingir o recorde de 11,8 milhões de toneladas em 2024. Não foi pouco.
Que tal aproveitarmos o embalo da COP 30 em Belém para substituirmos o sensacionalismo pelo sensacional?
