Interferir nas exportações para administrar preços tende a trazer resultados contrários ao que se espera

Por Athenagro

Em entrevista à BandNews TV, o diretor da Athenagro, Maurício Palma Nogueira, explicou que há uma crença equivocada de que, se houver dificuldades para as exportações brasileiras de carne bovina, haverá queda de preços no mercado interno. “Se observarmos a operação dos frigoríficos, a exportação garante preços mais baixos no mercado interno. Caso ocorra redução nas exportações, seria necessário aumentar os preços para compensar a queda de resultados para os frigoríficos. Na dificuldade de repassar os preços para a frente, a pressão se voltaria aos produtores, que perderiam margens no curto a médio prazo.”

Nesse caso, a reação dos produtores seria reduzir a oferta em um segundo momento, consequência dos maus resultados provocados pela interferência no mercado. Esse foi o comportamento registrado na Argentina, quando implementada a política de retenciones.

Em um primeiro momento, houve aumento na disponibilidade de carne bovina. Mas, logo em seguida, essa disponibilidade foi caindo da casa dos 62 kg de carne bovina por habitante para a faixa dos 44 kg por habitante.

De qualquer forma, o maior impactado é sempre o consumidor quando há interferência política no mercado de exportações e importações. A diferença se o impacto negativo virá imediatamente ou depois de alguns meses é a quantidade de produto que estará disponível em estoque.

Assista aqui a entrevista completa.

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