A pecuária brasileira se prepara para gerar ainda mais retorno para a sociedade

Por Athenagro

Em entrevista ao vivo para o Canal do Boi, conduzida pelo jornalista Jorge Zaidan, Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro, abordou diversos temas relevantes para a pecuária de corte. A seguir estão alguns dos principais pontos da conversa, destacados a partir de suas declarações:

– Embora consista em uma proposta justa e equilibrada, a coordenação de um sistema de cotas para exportação de carne bovina para a China, em resposta às salvaguardas, é uma medida de difícil implementação pois envolve diversas empresas concorrentes, tanto nas compras como nas vendas.

– O setor relacionado à pecuária de corte exportou mais de US$ 21 bilhões em 2025. As carnes responderam por 85% do total, com um faturamento total de US$17,9 bilhões durante o ano. Em 2025 foram exportadas 3,46 milhões de toneladas métricas de carne bovina, o que totaliza 4,53 milhões de toneladas de equivalentes carcaça.

– Para cada R$1 faturado com a venda de bovinos para abate, outros R$5 circulam na economia ao longo da cadeia produtiva. E todos os envolvidos ganham à medida que o setor conquista mercados e mantém boas vendas para clientes nacionais ou internacionais. Os interesses comuns entre os elos da cadeia produtiva são maiores do que os conflitantes. Infelizmente, há muitos influencers tentando ganhar visibilidade explorando os interesses conflitantes, como é o caso da precificação do boi pelos frigoríficos. Essas discussões precisam ser conduzidas de forma técnica e pragmática, visando obter o máximo de retorno para todos os envolvidos.

– Ao contrário do que se acredita, a aplicação de tecnologia na produção não gera desemprego; apenas transfere os empregos outros elos da cadeia produtiva. Quando se fala em fixar o homem no campo – seja ele pequeno produtor ou funcionário – é essencial considerar as condições em que essa permanência acontece. As políticas públicas precisam priorizar a dignidade e o bem-estar de quem vive e trabalha no campo. Erros de avaliação podem conduzir a políticas desastrosas, como foi o caso das Retenciones implementadas na Argentina com o objetivo de controlar os preços da carne no mercado. O efeito foi o inverso, derrubando o consumo per capita de carne bovina em mais de 30% em poucos anos;

– Em 2025, o Brasil representou 25% do total exportado no mundo. Mas, descontadas as importações dos países que exportam, a participação do Brasil aumenta para 39,7%. O caso dos Estados Unidos é o mais didático para explicar o comportamento. Em 2022, as importações de carne bovina pelos norte-americanos superaram as exportações em 1,25 milhão de equivalentes carcaça;

– A produção formal de carne bovina deve passar das 11 milhões de toneladas em 2025, um acréscimo de 6,7% em um ano que se iniciou com projeção de queda na produção. Mesmo com o aumento, a quantidade exportada de carne bovina superou as expectativas mais otimistas do início do ano passado. Com isso, a disponibilidade interna de carne bovina recuou por volta de 1% em 2025. Lembrando que a produção total, quando se considera o mercado informal e o abate para consumo nas propriedades, atingiu cerca de 12,35 milhões de toneladas. Para 2026, diferente de outras leituras, a Athenagro projeta estabilidade com tendência de aumento na produção do ano. Mesmo que a quantidade de animais abatidos se reduza, o maior peso da carcaça deve compensar essa queda;

– A pecuária está vivendo um período intenso de mudança, tanto na composição média da oferta – a partir dos sistemas de produção – como na sofisticação do perfil da demanda interna e externa.

– Dentre os principais indicadores do ciclo pecuário, a proporção de fêmeas no abate é o único que não está com características da fase de alta. É preciso entender, integralmente, as razões que explicam o elevado abate de fêmeas em 2025.

– Em sistemas mais tecnificados, o ritmo de descarte de fêmeas tende a ser maior — uma decisão estratégica, ligada ao índice de prenhez e à qualidade genética dos animais produzidos. O produtor não retém animais que não emprenham, mantendo um ritmo maior de venda de fêmeas, sejam novilhas ou vacas adultas. Nos maiores níveis de tecnologia também se observa um melhor desempenho das fêmeas, o que impacta a taxa de desmame e, por fim, o desfrute da propriedade. Sendo assim, a quantidade de fêmeas para gerar o mesmo número de bezerros será menor;

– O aumento do aporte tecnológico na pecuária traz benefícios econômicos, sociais e ambientais. Quando analisamos 30 anos de evolução na pecuária, comparando os anos de 1991/1994 com os anos de 2021/2024, notamos os seguintes avanços:

. redução de 15% na área de pastagens;

. aumento de 30% no tamanho do rebanho;

. aumento de 150% na produção de carne;

. e, consequentemente, um acréscimo de 200% na produtividade.

Ao produtor, é essencial entender a relação entre produtividade e lucro. Muita desinformação tem sido divulgada para questionar se vale a pena ou não implementar tecnologia.

A entrevista completa pode ser acessada pelo link:

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