Por Maurício Palma Nogueira, engenheiro agrônomo, diretor da Athenagro e coordenador do Rally da Pecuária
O ágio da arroba do bezerro desmamado sobre o boi gordo atingiu seu pico histórico em 2021, chegando a 58%, considerando o bezerro do Mato Grosso do Sul e o boi gordo de São Paulo — referências utilizadas para os principais indicadores de mercado. Atualmente, o ágio vem retomando patamares superiores a 30%.
Ao se observar a série histórica completa, iniciada em 1955, verifica-se que, na média, a relação de preços indica deságio.
Ou seja, ao longo das décadas, tanto em arrobas quanto em quilogramas, o bezerro, historicamente, valeu menos do que o boi gordo. Essa realidade começou a se alterar a partir de meados da década de 1990, conforme abordamos em diversos estudos e artigos da Athenagro.
A mudança na relação histórica entre os preços do boi gordo e dos animais de reposição é, ao mesmo tempo, consequência e explicação para os principais movimentos da pecuária brasileira ao longo das décadas:
Período de expansão: até 1994;
Período de ajuste de estoque e desestímulo tecnológico: entre 1995 e 2008;
Período de transição e estímulo tecnológico: entre 2009 e 2018;
Período de consolidação: entre 2019 e 2024;
E, finalmente, o período de aceleração tecnológica, iniciado em 2025.
Este é um dos gráficos mais didáticos para ilustrar a interligação entre a produção de carne bovina, o ambiente, a sociedade e o avanço tecnológico no campo — a sustentabilidade em sua prática mais concreta, sem distorções conceituais.
O grande marco das transformações na pecuária brasileira teve início com a estabilização da economia. Não foram as leis e nem as ações de grupos ambientalistas que protagonizaram essa mudança — embora muitos tentem reivindicar esse papel.
Como bem expressou James Carville, estrategista da campanha presidencial de Bill Clinton em 1992: “It’s the economy, stupid” (“É a economia, estúpido”).

