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Alta da arroba favorece produtores mais tecnificados

Segundo diretor da Athenagro, setor vive momento "extremamente complicado"

 

A melhora nos preços da arroba do boi gordo este ano e as perspectivas de maior demanda internacional pela carne brasileira depois do surto de peste suína na Ásia deve representar um alívio para o setor pecuário nacional. Os resultados mais expressivos, contudo, devem se restringir àqueles produtores mais tecnificados e com taxas de produtividade acima da média nacional.

“O nível de exclusão daqueles produtores que não conseguem se adaptar é preocupante”, ressalta Maurício Palma Nogueira, diretor da Athenagro, organizadora do Rally da Pecuária. O evento percorrerá 50 mil quilômetros de janeiro a setembro deste ano para avaliar as condições do setor e levar informação para o produtor. “A pecuária está em crise, mas tem uma parcela que está construindo uma pecuária de sucesso”, alerta o analista.

A Athenagro avalia que, enquanto produtores de média tecnologia aumentarão de R$ 10 a R$ 25 por hectare a sua rentabilidade, aqueles com maior produtividade obterão resultados até R$ 700 por hectare acima do registrado no ano passado. Já aqueles com produção de 1 a 3 arrobas por hectare, esse lucro se restringe a R$ 6 por hectare.

“Não adianta nada preço mais alto se o produtor não tem escala. Não é preço que muda o jogo, não é preço que faz o jogo mudar”, ressalta Nogueira. Segundo ele, o setor tende a acreditar em preços que não são factíveis para o consumidor. “O caminho que a produção tem que fazer é de permitir que tenhamos acesso a um produto de mais qualidade por um preço mais acessível”.

 

“Estamos falando de R$ 9 a mais por arroba este ano e isso não mudou nada para a média do produtor brasileiro.  Se o preço for a R$ 170 não vai mudar nada para quem tem baixa tecnologia porque ele não tem escala. Então não adiante ter preço alto”, ressalta o diretor da Athenagro, que completa: “Estamos vivendo um momento extremamente complicado para a pecuária brasileira”.

De acordo com ele, o atual momento do mercado pecuário é preocupante. A consultoria avalia que apenas 7% do total de pecuaristas em atividade possuem condições de continuar competitivos no mercado com lucro. Esse grupo, avalia Nogueira, concentra 50% do rebanho brasileiro, com uma produção crescente.

A saída, avalia o analista, seria haver políticas públicas mais eficazes para o setor e comunicação livre de mitos. “Passamos um ano brigando contra a política da ‘segunda-feira sem carne’ via Estado de São Paulo. Quando o sujeito acha que vai afetar aquele produtor de novela que fica na varanda – e que não existe – ele vai afetar o pequeno produtor e de baixa tecnologia. É esse que vai dançar”, alerta Nogueira.

 

Fonte da Notícia
Portal DBO